Mostrando postagens com marcador outdoor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador outdoor. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Fato novo: mudanças no rumo da campanha


Longe de fazer uma análise mais profunda de todo o percurso eleitoral, é preciso pontuar alguns itens que podem ter contribuído para o resultado das urnas em Petrolina:

- o desgaste da convenção do partido PSB (o bate-chapa);
- arrogância na postura do então candidato Gonzaga Patriota;
- ausência do apoio de Fernando Bezerra Coelho;
- nada a declarar de concreto do aprendiz de política, Julio Lossio.

Tudo isso junto a uma estratégia marketeira mal pontuada pode ter contribuído, e muito, para o resultado do pleito. No entanto, um elemento dissonante no cenário eleitoral foi apresentando ao eleitor uma semana antes da votação: o outdoor “Odacy, eu gostaria de votar em você!”

Do ponto de vista publicitário a peça foi um elemento exaltador, revolucionário, singular, mas de um impacto incalculável, no primeiro momento. Tudo foi pensando estrategicamente: o ponto de exposição (Av. Ângelo Sampaio); os elementos semióticos, sobretudo às cores, e o tratamento aplicado ao texto.

Pode-se dizer que este fato novo remexeu o ego de muitos eleitores a ponto de se fazer uma nova leitura sobre o cenário político. Pessoas indecisas, machucadas, chateadas... absolveram a ação como resposta as suas ansiedades e se conectaram a linha de comunicação estabelecida pela campanha de Julio Lossio. Este era o propósito.

A publicidade nesse contexto, especificamente a peça outdoor, foi de uma “sacada” inovadora que trouxe à baila um novo desenho sobre o que poderia ser o resultado das urnas. E o que de fato se concretizou através dos votos brancos e nulos.

Em toda eleição, podemos fazer projeções, estratégias e caminhos que levem a vitória. No entanto, algumas coisas são primordiais na trajetória da campanha: uma imagem aglutinadora, um histórico pessoal ilibado, pouco ou quase nenhum conflito no inicio da campanha e uma caminhada segura durante todo o percurso.

Com tudo isso nada garante o conquista do pleito, no entanto aumenta as possibilidades. Agora, um fato novo numa reta final de campanha, pode e faz uma grande diferença nas urnas. A prova disso foi a margem de votos que separou o 1º lugar, Julio Lossio, 73.252, (59,54%) do 2º candidato, Gonzaga Patriota, 46.752, (38,0%).

Depois do processo é bom fazer uma reflexão. Afinal, as eleições acontecem de 2 em 2 anos.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Perpetuação do poder

Av. Angelo Sampaio - prox. Shopping River Foto: Blog Teresa
Petrolina amanheceu o domingo com uma tabuleta nova de outdoor em traço com uma frase: "Odacy, eu gostaria de votar em você!" Nada seria novo se o então prefeito Odacy Amorim (PSB) fosse de fato candidato.

Do ponto de vista publicitário, a peça traz uma série de elementos associativos ao momento político a exemplo das cores utilizadas, posicionamento do outdoor, o período de exposição (uma semana antes da eleição), além da frase, é claro.

O discurso não deixa dúvidas da ausência de apoio de uma das forças políticas da região ao candidato Gonzaga Patriota (PSB) que discordando ou não foi legitimado na convenção do partido para disputar a prefeitura de Petrolina.

Tudo poderia ser natural se não estivéssemos contando com um reduto eleitoral onde historicamente os Coelhos, de um lado ou de outro, definem os rumos políticos da cidade e mostra os ditames eleitorais de acordo com seus interesses.

Um exemplo dessa assertiva é a nota da coluna Pinga Fogo, de Inaldo Sampaio, do Jornal do Commercio, veiculada neste domingo (28/09/08 p. 4, Política).

Diz a nota:

“Confirmando-se a vitória do médico Júlio Lossio (PMDB) para a prefeitura de Petrolina, o secretário Fernando Bezerra Coelho (PSB) vai comandar a oposição na cidade e preparar o filho, Fernandinho, para 2012”.

Nada é extraordinário na afirmação uma vez que numa campanha política ninguém trabalha apenas o hoje. O desenho do amanhã tem que ser planejado enquanto se constrói as ações do momento.

Também são naturais numa disputa política os embates e as divergências de pensamento sobre desenvolvimento, crescimento estrutural do município e o que de fato se espera de uma gestão publica.

Nada contra nem a favor de qualquer que seja a representação política, o que a sociedade deve questionar é até que ponto as mudanças vão acontecer em beneficio da coletividade.

De um lado, uma opção de mudança atrelada a uma série de outras ações e alimentada pela força da comunicação através de uma concessão de rádio. Do outro, um discurso de uma nova alternativa para uma cidade que cresce urbanamente, inclusive, até mesmo de forma desordenada. Nesse lado há um pano de fundo que reporta um passado não muito longe.

O questionamento, então, passa por uma análise profunda sobre as políticas publicas planejadas, implantadas e atuantes no município onde verdadeiramente a população menos favorecida tenha vez.

E uma outra forma de pensar este momento é que tipo de democracia estamos construindo. Livre de amarras e com possibilidades de escolha entre os candidatos que demonstram compromisso com uma gestão participativa.

Daí sim, percebermos a dificuldade que o eleitor tem diante das poucas opções apresentadas nesse pleito.