quinta-feira, 23 de abril de 2009

A farra das passagens e o pacote transparência

Depois da overdose das passagens áreas pagas com o dinheiro do contribuinte, a Câmara, via o presidente Michel Temer (PMDB-SP), faz digestão do elefante que engoliu e vomita o tal pacote de transparência velada.

O corte passa (explicitamente) pelos bilhetes que vão servir apenas aos representantes do povo, leia-se o deputado federal, e os assessores que estiverem comprovadamente em serviço. A cota aérea cai pela metade e tem uma possível diminuição da fatura que deve ficar em torno de R$ 43 mil.

Moral da história. A imprensa fez o seu dever de casa direitinho. Informou, noticiou, instigou o debate e contribuiu com a reflexão. O resultado? A Câmara acordou em parte.

Resta saber algo singular: o que foi usado até agora não será restituído aos cofres públicos? Tudo fica como antes? Ninguém paga nada e todos os débitos foram perdoados?

Assim é bom demais. É bom mas não é socializado com todos, apenas com poucos. E olha que o leão (Imposto de Renda) tem engolido todos os dias o pobre coitado que paga seus impostos mês a mês e ainda tem que restituir ao leão parte de todo o seu trabalho anual.

Quer entender? Só entrando no intestino fedido desse governo larapio para saber como isso acontece de forma ilegal e disfarçada (em alguns casos).

Pra completar a farra, os deputados estão trabalhando na calada da noite para montar uma estratégia de guerrilha que possibilitem o aumento dos seus salários que passariam dos atuais R$ 16,5 mil para R$ 24,5 mil.*

O que faz a imprensa? Informa novamente. Traz à tona elementos que vão esclarecer sobre os fatos. Estimula o debate e faz a sociedade pensar.

As diversas vozes de todos os cantos desse país tem que ecoar forte dentro do Congresso para que esses tais políticos percebam que a nossa arma não é um artefato utilizado para propulsão de projéteis sólidos.

Nossa arma é o voto. E a urna legitima esse exercício democrático.

O recado para 2010 tá dado.

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* Vendo por este ângulo de pobreza seria possível até fazer uma troca rápida dos salários dos deputados com os dos professores. E ainda enviando de quebra a carga horário dos docentes em torno de 40 horas semanais, fora atendimento de alunos via online e presencial, preparação de aula, acompanhamento de projeto de extensão, orientação acadêmica, reuniões plenárias... ufa...melhor ser mesmo deputado!!!

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