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quarta-feira, 15 de julho de 2009

Deu na imprensa internacional: a família Addams mora no Senado

Imagem ilustrativa do Senado Brasileiro

Vamos por parte como diria Jack, o estripador. Afinal, nem todos que estão dentro do Senado são da mesma família, mas vivem juntos numa área em comum e alguns são omissos quando o assunto é moralidade. Unidos formam um clã, uma facção ou um comando.

Assim, precisamos entender que se o Senado Federal é a nova “casa dos horrores”, como explicou bem direitinho a matéria da revista britânica The Economist, os habitantes desse espaço tem tudo a ver com a família Addams. Família esta que protagonizou uma série de TV com espetáculos horripilantes na década de 1960 e foi repaginada em vários outros momentos.

Entre tragédias, armadilhas, terror e tantas outras situações mórbidas exibidas durante a série qualquer semelhança entre a casa da família Addams e o Senado brasileiro não é mera coincidência. É adequada e proposital.

A diferença é que as histórias do casal Gomes e Mortícia com seus filhos Wednesday (Wandinha), uma menina sádica e um tanto quanto soturna, que adora brincar com seu desmiolado irmão Pugsley (Feioso), submetendo-o a vários tipos de tortura além de todos os demais loucos membros da família não passam de uma grande ficção.

Já o Senado é uma realidade nua e crua que nós brasileiros assistimos, não acreditamos no que estamos vendo e ainda temos a impressão que o roteiro do filme está apenas no começo.

O final da história? Esperamos que as urnas (em 2010) respondam.

Ps: Os recentes escândalos envolvendo o Congresso brasileiro foram destaques na revista britânica The Economist (julho/2009). Veja matéria aqui.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Pauta do Congresso Nacional: escândalos

Publicado: 16/04/09

Essa é muito boa. O tal deputado do Rio Grande do Norte, o patricinho Fábio Faria (PMN), deu uma declaração à imprensa no mínimo inusitada.

Tudo aconteceu porque veio à tona a notícia que o parlamentar levou as atrizes Kayky Brito, Sthefany Brito e Sâmara Felippo para o carnaval fora de época em Natal, assim como a namorada (na época) Adriana Galisteu, sogra e amigo para passeios internacionais, sendo todos os bilhetes aéreos pagos pela Viúva. Leia-se: nós contribuintes.

Com a cara mais lisa e bonitinha (e também ordinária) que ele tem, explicou a grande imprensa que a responsabilidade pelo ocorrido pertence aos seus assessores. Segundo ele, os detalhes dessa tarefa burocrática ficam a cargo do corpo técnico do seu gabinete.

Faria foi mais profundo ainda, apresentou sua bandeira de trabalho tendo como uma de suas “prioridades” como parlamentar “atuar com transparência e probidade”.

O que fez a presidência da Câmara? Nada, pra não mexer com todos.

Se o deputado Faria diz o que diz e fez o que fez, imagine você, caro blogauta, o que fazem os demais parlamentares que na calada da noite fretam aviões para amantes, desviam verbas em projetos culturais, negociam superfaturamento com empreiteiras e construtoras nas licitações para o governo?

Que país é este? Que dia-a-dia movimenta um alto índice de escândalos, corrupções e desmandos na gestão pública?

Tudo isso que está ocorrendo no Congresso Nacional e vindo a publico para conhecimento da sociedade, só pode mesmo ser um filme de ficção.
É muito kafkiana, surrealista, pra lá de pós-moderno, contemporâneo ou qualquer coisa do gênero. Shakespeare perde longe. Não tem Nelson Rodrigues que dê conta de histórias tão absurdas e mortais.

Das duas uma: ou fazemos uma verdadeira limpeza em 2010 que renove o quadro político-ético-moral desse Congresso ou caminhamos para o abismo da inoperância na certeza que não teremos o amanhã para os nossos filhos e netos.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

De olho nos parlamentares

Deputado banca viagens de artistas
Publicado em 15.04.2009 no Jornal do Commercio*

Fábio Faria (PMN-RN) usou sua cota de passagens aéreas para pagar viagens de sua ex-namorada Adriane Galisteu, da mãe dela e de outros três atoresBRASÍLIA – O deputado federal Fábio Faria (PMN-RN) usou dinheiro da Câmara para levar os atores Kayke Brito, Sthefany Brito e Samara Felippo para passar o Carnaval fora de época em seu camarote em Natal, em 2007.

Ele também usou a cota de passagens aéreas a que tem direito para pagar sete viagens para sua ex-namorada, a apresentadora Adriane Galisteu, entre 2007 e 2008, e uma para a mãe dela, Emma Galisteu, para os Estados Unidos, no ano passado.

Ontem, após o site Congresso em Foco revelar que Faria pagou tudo com dinheiro público, o deputado devolveu, em forma de Guia de Recolhimento da União (GRU), R$ 21,3 mil referentes, segundo sua assessoria, a todas as passagens, menos as de Galisteu. A justificativa é que a apresentadora era sua companheira na época e, portanto, ele tinha o direito de pagar as passagens dela.

O ato da mesa diretora que disciplina o uso da cota aérea é omisso sobre o que o deputado pode fazer com as passagens e a quem pode destiná-las. As cotas variam de acordo com o Estado do parlamentar, indo de R$ 4.700 (para deputados do Distrito Federal) a R$ 18,7 mil (para os de Roraima). Para o Rio Grande do Norte, Estado de Faria, são R$ 16 mil mensais, valor que pode ser acumulado de mês a mês.

O presidente da Casa, deputado Michel Temer (PMDB-SP), disse achar que a atitude de Faria não é um padrão normal, mas que ele tem que devolver o dinheiro se achar que teve irregularidade.

Mais tarde, no entanto, depois de conversar com lideranças partidárias, Temer afirmou aos colegas que deve encaminhar o caso para ser examinado pela corregedoria. O entendimento é que Faria abusou da cota ao pagar passagens para benefício próprio, já que os atores e as demais pessoas foram ao evento em Natal para promover o camarote do deputado, um dos mais concorridos do Carnatal.

O deputado Odair Cunha (PT-MG), terceiro-secretário da Câmara e responsável pelas passagens, disse que não vai fazer mudanças nas regras sobre a cota de transporte aéreo. Na última reunião da mesa, foi decidido apenas restringir a um assessor por deputado a emissão das passagens. As demais regras continuaram sem alteração. “A questão relativa à emissão de passagens aéreas é uma atribuição administrativa com a qual nunca lidei pessoalmente, deixando os detalhes dessa tarefa burocrática a cargo do corpo técnico de meu gabinete”, disse o deputado Fábio Faria, em nota divulgada ontem.

PROCESSO

Alvo de processo contra ele no Conselho de Ética da Câmara por quebra de decoro parlamentar, o deputado Edmar Moreira (sem partido-MG), dono de um castelo em Minas, afirmou que desconhece a abertura da ação. Moreira retornou ontem ao Congresso depois de passar mais de uma semana afastado para tratamento de saúde por causa de problemas no joelho. O deputado, no entanto, ainda não foi notificado pelo órgão disciplinar. Questionado sobre o processo, o deputado desconversou. “Não sei do que você está falando. Não vou falar mais com você”, afirmou o deputado.

Segundo o presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PR-BA), serão feitas mais duas visitas ao gabinete do deputado para tentar notificá-lo da abertura do processo. Caso não seja encontrado, Araújo disse que o deputado poderá ser julgado à revelia. “Vamos insistir nas vias tradicionais”, afirmou.

* matéria disponível só para assinante

Nota do blog
É por essas e outras que o Congresso Nacional está desacreditado.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Obama lá... o roubo aqui...Os escândalos que a mídia pouco mostra



Voltada totalmente para as eleições americanas, a agenda midiática em todos os veículos homogeneizou a mais de um mês, de uma forma tão absurda que as pautas mais relevantes em termos de prestação de serviços foram praticamente engavetadas.

A idolatria pelos americanos chega ao ápice do desespero quando a Globo, perdendo audiência no Jornal Nacional, coloca o seu ancora, William Bonner, para transmitir de Washington a tão propagada eleição.

Vale ressaltar ainda a presença de Pedro Bial, sempre com cara de BBB, fazendo comentários pitorescos para não perder o hábito bigbrodiana e os outros correspondentes em vários estados americanos e na Europa que já fazem coberturas diárias. Entre uma matéria e outra dos telejornais a temática era Obama.

Folha de São Paulo, O Globo, O Dia, O Estadão... os maiores portais do Brasil... todos com a mesma agenda abarrotada de informações para brigar por um pedaço da audiência.

Que as eleições americanas são importantes, é inegável. Que a grande imprensa deve cobrir da melhor forma possível para deixar a sociedade informada, é indispensável.

Agora, é preciso fazer uma reflexão dessa cobertura espetacularizada e, com efeito, de idolatria máxima. O novo super-herói, o “salvador” do mundo, a grande revolução, um negro no poder da maior potencia do mundo, o melhor país em termos de democracia... e por aí vai...

Emoção de jornalistas, lágrimas de desconhecidos em vídeo, detalhes sobre a família de Obama e algumas coisitas sobre a relação Brasil X EUA. A imprensa americana toma posições e escolhe lados. A nossa também.

Enquanto exalta os americanos o efeito Obama toma conta da cena brasileira.
Os políticos começam a mexer as pedras em Brasília e em todos os estados. A mídia cobre lá fora e abafa o caso por aqui. Os larápios fazem à festa. Eles estão amando esse momento brasileiro-americano de ser...

A grande imprensa chega aos detalhes da vida do novo presidente americano (lá... de lá...) e aqui não aprofunda nenhuma matéria sobre estes aumentos de salários dos representantes do povo (que povo? Deve ser o povo da casa deles!) e deixam de estimular o debate social sobre um fato que diz respeito diretamente a nós brasileiros.

Vocês se lembram da cobertura da imprensa americana quando Lula foi eleito pela 1ª vez? E a 2ª vez? Vocês se lembram? Também temos um descendente de negro no poder. Também temos uma representação da base, do povo, no poder. E nem por isso os jornalistas americanos choraram com as nossas eleições.

Enquanto a grande mídia puxa o saco dos americanos (que não tão nem aí pra gente...) nossos políticos que são maestros em falcatruas mandam a fatura pra gente no próximo mês e ainda vem no envelope com selo americano para não cair no esquecimento.