domingo, 31 de agosto de 2008

Por que o Recife fede tanto? Parte 1

Foto: O Globo Thumbnail


A orla mais linda do Nordeste, o histórico Bairro do Recife, uma beleza misturada entre a arquitetura colonial e a pós moderna, a consolidação da terra dos mascates, uma cidade bela e aconchegante...

Foi assim que desenhei minha cidade Recife para meus alunos de Jornalismo da Universidade do Estado da Bahia que saíram do campus III em Juazeiro para fazer uma pesquisa nos veículos de comunicação na capital pernambucana.

A minha paixão era tão exacerbada que contagiava todos. Embora o desafeto entre baianos e pernambucanos fosse relembrado em quase todos os 836 km de distancia, a expectativa de encontrar a tão maravilhosa “Veneza brasileira” era maior que as diferenças.

Nem bem chegamos, passamos pelos Coelhos e podemos ver o descuido com o bairro. Ao entrarmos na Rua da Aurora.. ah! Aurora... Antes, registro obrigatório dos clics fotográficos, hoje, uma decepção de paisagem.

O hotel, às margens do tradicional Rio Capibaribe, não poderia ser diferente. A fedentina entrava por nossas narinas sem pedir licença. Diante da vista cinematográfica o comentário não poderia ser outro: “Poxa, como esta cidade fede”.

O espanto dos alunos chegava mesmo a incomodar. Como entender um rio lindo como aquele cheio de lodo as margens da sacada, e muito lixo nadando sem direção. A cena era tão cruel que se parecia ouvir o clamor de ‘socorro’ do Capibaribe aos visitantes.

E não poderia falta à piada, professora, este é o seu Recife?

Um outro olhar sobre o Recife

Foto: Blog Mariana Matos

Estive no Recife, dias 29 e 30/08/08, com os alunos de jornalismo da UNEB, campus III, Juazeiro. A visita técnica tinha o objetivo de conhecer os veículos de comunicação da cidade.

No entanto, outras coisas foram vistas, observadas e analisadas... coisas boas e ruins. Mais negativas que positivas. Que pena. Não é este o Recife que prego tanto em Petrolina e Juazeiro.

Na seqüência farei quatro matérias sobre a temática. Jornalista é assim. Pode até não gostar, mas o registro tem que ser feito....

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Marketing político 4



Santinhos na caixa do correio

Parece que o marketing dos candidatos não tem mesmo limite. Acreditam, os estrategistas, que abarrotar santinhos na caixa do correio das residências segue a melhor forma de atrair o eleitor. Ledo engano.

Ao perceber que as correspondências ficam amassadas, machucadas pelo excesso dos tais folhetos e cartas de campanha política o eleitor se enche de ira para com os tais candidatos. Conclusão: efeito negativo da estratégia.

A papelada além de não trazer nenhum tipo de plataforma de atuação dos candidatos, joga os números cheios de cores para fixar na mente do eleitor (não me lembro de nenhum...).

Os tais postulantes permitem que sua publicidade siga apenas dois sentidos: fixação do número e slogan emocionante, tipo: “um homem honesto, ético para representar você”, “fidelidade acima de tudo”, “agora vai!”, “candidato natural”...

Durma com algo desse tipo e acorde feliz! Não é a primeira vez (e parece que não será a última ) que este blog trata do assunto “estratégia de marketing eleitoral às avessas”. Até porque com a falta de credibilidade dos nossos políticos pouco ou quase nada podemos esperar de retorno do eleitor.

Agora uma coisa é saber que o eleitor está desanimado a outra é achar que ele é louco ou burro. Afinal, quem foi que disse aos estrategistas tupiniquins que honestidade é um produto vendável? A granel? Ou no varejo?

Desde quando honestidade é sinônimo de projeto de governo, plataforma de trabalho?

Resta saber o que esses tais candidatos pretende fazer com esta honestidade. Colocar na gôndola de supermercado? Ou vai vender mesmo na feira livre?

domingo, 24 de agosto de 2008

Guia eleitoral: um teatro na TV


O berço do teatro sempre foi à Grécia. As representações tomaram, no inicio do século V a.C. grande importância. Eram manifestações da superioridade e magnificência de Atenas e um momento alto na vida das polis.

Em Atenas o espetáculo sempre corria entre a tragédia e a comédia. O povo, em silêncio, refletia de forma profunda o conceito daquelas palavras que eram verbalizadas nos palcos, nas arenas. As encenações beiravam o propósito do sonho e da realidade.

No século XVI na Inglaterra, na época do reinado de Isabel, falecida em 1603, foi o momento de ouro da dramaturgia britânica, inteiramente dominada pela personalidade artística e pelo gênio criativo de Shakespeare, exercido por ele e por seus companheiros da Companhia do Camarlengo na sua sede à beira do Rio Tâmisa, o Globe Theatre.

Romantismo, drama, tragédia e comédia. O teatro fez escola e formou o cinema, o rádio, a TV...os atores, os políticos...

Qualquer semelhança entre o teatro daquela época com o guia eleitoral que assistimos hoje na Tv não é mera coincidência. Afinal, foi o teatro a escola da interpretação. Os atores políticos são protagonistas de um espetáculo.

Existe um texto, uma direção, um conteúdo a ser passado e o desejo de fisgar o espectador, neste caso, o telespectador, ou melhor, o eleitor. A verdade? Bom, esse elemento está dentro de um contexto programático que envolve a linha editorial do marketeiro político que determina ou simplesmente indica o que o candidato deve dizer, fazer e sentir.

Para quem não pode assistir às peças em casas de espetáculos pelo menos tem a oportunidade de saber que o teatro, o ator, a representação de uma cena têm tudo a ver com a produção do guia eleitoral.

Ao falar para câmara como se estivesse encenando numa platéia o ator, ou melhor, o candidato é um mero repassador de mensagens que muito longe de entender esse processo como real, fica o telespectador a compreender que naquele discurso as verdades não são percebidas e sim representadas.

O resultado desse teatro? Vamos esperar que às urnas respondam.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Coletiva dos candidatos à prefeitura de Juazeiro/BA


Tudo pronto para a coletiva com os seis (6) candidatos à prefeitura de Juazeiro, que acontece nos dias 20 e 21 de agosto, das 15h às 18h, no auditório da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Campus III.

O evento está sendo organizado pelos alunos do 8º período do curso de Comunicação Social, Hab. Jornalismo em Multimeios, sob a coordenação da professora e jornalista Teresa Leonel do DCH III.

Cada candidato terá 15 minutos para apresentar seu projeto de governo para a cidade de Juazeiro. O evento pretende contribuir com o processo eleitoral municipal do ano de 2008, abrindo as portas do campus universitário para toda a sociedade civil, que poderá conhecer melhor as propostas de governo de cada candidato.

As regras para a entrevista foram aceitas e confirmadas pelos assessores.

A coletiva, que é franqueada ao público, acontece no auditório do próprio campus e se divide em duas etapas:

No primeiro dia, 20/08, os candidatos submetidos à entrevista são: Misael Aguilar (PMDB), Joseph Bandeira (PT) e Pedrina Maria (Psol).

Já na segunda coletiva, 21/08, participam Wank Medrado (PRP), Isaac Carvalho (PCdoB) e Roberto Carlos (PDT).
Acompanhe outras informações pelo blog da Coletiva: http://www.imprensando2008.blogspot.com/

De olho nos candidatos


Dos 661 vereadores das capitais brasileiras que são candidatos a algum cargo nas eleições de outubro, 78 (12%) respondem a processos na Justiça, tiveram contas eleitorais rejeitadas ou sofreram punições em Tribunais de Contas.

O maior percentual de vereadores-candidatos nessa situação é verificado em Goiânia, com 29% (nove de 31). Em seguida aparecem São Paulo (26%) e Belém (24%).


Outras com ao menos 20% de seus vereadores-candidatos na situação são: Manaus, João Pessoa e Porto Velho.

Os números são extraídos do projeto Excelências, da Transparência Brasil, ferramenta em que se exibem os perfis políticos de todos os integrantes do Congresso Nacional, das Assembléias Legislativas estaduais e das Câmaras Municipais das capitais brasileiras.

Fonte: Transparência Brasil

Marketing político 3 - "Creu, creu, creu, creu"


É mesmo digna de uma análise sociológica e profunda a falta de criatividade dos jingles das campanhas políticas que ficaram epidêmicas em função das musicas comerciais “clássicas” mais tocadas nas FMs desse Brasil a fora.

Com letras apimentadas e bem direcionadas os tais jingles são plágios das chamadas melodias, tipo: “É da cachorra”, “Bate mãozinha, bate”, “Creu, creu” e até mesmo o imortal Garçom, do pop star Reginaldo Rossi.

Na busca de condicionar o ouvido e penetrar pelas entranhas de forma cancerígena a técnica da repetição dos números é utilizada com maior intensidade.

É o caso, por exemplo, de um candidato a prefeito na cidade Juazeiro/BA que remonta de forma estilizada a obra prima do momento, a música Creu, creu, e transforma o refrão no número do candidato. O mesmo ecoa, através do carrão de som, de rua a dentro invadindo as casas dos moradores de forma estridente e apelativa.

A proposta é fixar na mente do eleitor o elemento mais determinante das urnas: o número. Na medida em que o jingle (se é que podemos dizer que isso é um jingle....) pega uma seqüência repetitiva do número do candidato, chega ao final com uma frase que explica ao eleitor que votar no outro “é desespero... é desespero...”

Diante do quadro clínico é mesmo muito complicado para o eleitor diagnosticar o tipo de político que se diz capacitado para gerir o município.

Afinal, o que todo eleitor espera de um candidato é uma boa plataforma de trabalho e uma atuação contundente, séria e legal para que o mesmo possa se dizer representante de um povo.

Será que eles fazem isso?

domingo, 17 de agosto de 2008

Poesia de Camões

Minha amiga Bet, como sempre, enviou poemas para mim no domingo.
E que bom... foi Camões...

Camões (morreu em Lisboa, em 1580)

Da alma e de quanto tiver
Quero que me despojeis,
contanto que me deixeis
Os olhos para vos ver

Poesia - Camões 2

Acha a tenra mocidade
Prazeres acomodados,
E logo a maior idade
Já sente por pouquidade
Aqueles gostos passados.

Um gosto que hoje se alcança,
Amanhã já não o vejo;
Assim nos traz a mudança
De esperança em esperança
E de desejo em desejo.

Mas em vida tão escassa
Que esperança será forte?
Fraqueza da humana sorte,
Que quanto da vida passaEstá receitando a morte!

Poesia - Camões 3

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já foi coberto de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

sábado, 16 de agosto de 2008

Transparência Brasil

Estudos sobre atuação da imprensa na cobertura de programa de fiscalização de municípios

A Transparência Brasil apresenta três estudos que abordam alguns aspectos da cobertura jornalística de um programa da Controladoria-Geral da União (CGU) que fiscaliza municípios. As análises foram feitas a partir de pesquisas na base de dados do Deu no Jornal, projeto da Transparência Brasil que reproduz reportagens sobre corrupção publicadas na imprensa brasileira.

Um dos relatórios destaca a baixa atenção dada ao programa por jornais dos três estados mais ricos do país: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Por outro lado, nota-se que a Paraíba é o estado onde há maior acompanhamento das ações deste programa da CGU por parte da imprensa.

Outro aspecto analisado foi a disposição da imprensa em ir além dos dados repassados aos jornais a partir da conclusão dos relatórios da Controladoria.

O Deu no Jornal é o único sítio de Internet brasileiro em que podem ser acessadas livremente as reportagens sobre corrupção e controle publicadas em mais de 50 jornais e revistas de todas as unidades da federação.

Fonte: Transparência Brasil

Perguntas que não querem calar


Faltando pouco mais de dois meses para as eleições, por que só agora as ruas de Petrolina estão sendo asfaltadas? Até mesmo ao meio dia???


O que houve com algumas rádios que antes “quebravam o pau” no prefeito Odacy Amorim e agora quase estendem o tapete vermelho para que ele possa falar?

Quando é que os assessores dos candidatos vão entender que abarrotar de “santinhos” a caixa do correio do cidadão deixa qualquer eleitor irado? Com a resposta os marketeiros.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Cine Chinelo 2008! (desglamourizando o cinema...)


Arte:Raoni Assis

O alternativo democrático: mostrar cinema pra todo mundo. Que coisa boa. Este merece um post por aqui...

Minha amiga Bet passou o e-mail pra mim e compartilho com os meus blogautas.
Foto: Josivan Rodrigues

Desglamourizar para democratizar. Essa é a principal proposta do Cine Chinelo NoPE, que chega à sua sétima edição nos próximos dias 27 e 28 de agosto, na Rua da Moeda, Bairro do Recife.

A novidade da próxima mostra é que serão dois dias de realização. "Desde a primeira edição, há
três anos e meio, percebemos a necessidade de mais tempo de sessão, porque recebíamos mais filmes do que tempo de programação", afirma o produtor da mostra, GÊ Carvalho.Curiosos, cinéfilos, agitadores e realizadores estão convidados a participar do Cine Chinelo NoPE, que abre espaço para quem quiser levar seus filmes em dvd, de até 20 minutos, entre 18h e 20h, ou até fechar os 150 minutos de exibição.

Enquanto os vídeos são entregues rola a "sessão" de PC DJ - um computador que escolhe musicas. Os curtas farão parte da Sessão Caldo-de-Cana - ao estilo é na rua, sai na hora e dá para todo mundo - onde os realizadores podem incluir seus trabalhos na programação. A partir das 23h terão apresentações das bandas Chambaril (27) e Treminhão (28).

E, enquanto as bandas tocam, rolam projeções de VJ´s convidados, e daqueles que quiserem levar suas imagens, de até 20 minutos.Durante o evento, o público é estimulado à reflexão sobre a natureza experimental e revolucionário no conteúdo das obras, através da Bula Cinematográfica. "É uma forma de incitar a característica filosófica dentro do audiovisual.

O Cine Chinelo tem esse elemento cineclubista. Não é discussão sobre filmes, mas é sobre cinema. Em seu abanhado, a Bula Cinematográfica tem a pretensão de provocar os realizadores no que compete ao conteúdo de suas obras". Os presentes receberão informativos com uma mistura de fragmentos do livro A Imagem-Tempo, de Gilles Deleuze (Editora Brasiliense, coleção Cinema II), com textos de Gê Carvalho.

"Todo esse estímulo do desenvolvimento do pensamento, contribui para a discussão e formação, sobre a definição da identidade do cinema brasileiro, que há anos tentam enquadrar, mas não se consegue. Simplesmente, porque a identidade do cinema brasileiro é a diversidade", opina Gê Carvalho.

Ao que interessa, a programação dos filmes não existe. "O formato do Cine Chinelo tem essa proposta de resgatar a antiga postura do público em relação ao cinema. Todos iam às sessões para, só na hora, ver o que iria passar. Isso inclui coisas boas e ruins, como acontece, o que também faz parte da democracia.

Esse é o espírito de quem vai ao Cine Chinelo, chegar lá para ver qual é".O Cine Chinelo tem o apoio de João, o proprietário do Bar do Manuel (localizado na Rua da Moeda, que disponibiliza as mesas e cadeiras da sala a céu aberto.

A mostra conta ainda, com o patrocinado da Fundarpe, através do 1º Edital de Fomento ao Audiovisual de Pernambuco e, mais um apoio na divulgação virtual através do blog SomBarato www.sombarato.blogspot.com

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

JC faz chamada de capa apelativa

A imprensa escrita parece não ter mais tantos elementos para atrair o leitor e busca trazer à tona a tão discutida espetacularização midiática.
Hoje (13/08/08) o Jornal do Commercio faz uma chamada de capa, Show de ousadia em assalto a agência do Banco do Brasil no Espinheiro, ratificando a máxima de que a “notícia ruim é o que faz vender”.

Com um título sugestivo a trágica-comedia a proposta tenta chamar a atenção do leitor para algo inusitado. Como se falar de assalto fosso sempre tão corriqueiro e exatamente numa cidade como o Recife e neste caso é preciso muito mais do que simplesmente informar. É preciso glamourisar para fisgar o leitor e mostrar que assalto espetacular não é um privilegio apenas do Rio de Janeiro e São Paulo.

A gente também produz esse tipo de tragédia. E por que a imprensa não evita esse tipo de chamada?

A palavra show nos remete a um evento de entretenimento e geralmente está associada a espetáculo, na essência da palavra, e de forma positiva e estimulante.

Portanto, vejo como totalmente desnecessária a chamada espetacularizada, mesmo que a ação dos bandidos tenha sido “cinematográfica”. Isso nos leva a pensar sobre a influência imagética do cinema como ficção e a tal realidade que nós da imprensa pregamos como absoluta.

A pergunta é? A quem interessa saber que o roubo foi um “show de ousadia”? Se assim fazendo não estamos estimulando os nossos bandidos de carteirinha a buscar cada vez mais ser comparados aos heróis “roliudiano” e, portanto estar na mídia “fazendo seu show”?

É uma reflexão que cabe a nós enquanto imprensa fazermos.
Agindo assim estamos alimentando a “sociedade do espetáculo” e nada contribuindo em termos de informação. Lembro ainda que dentro do caderno Cidade, para o qual a chamada foi destinada, o título da matéria já teve outra posição: “Um assalto rápido e ousado”. Fizeram o quê com o “show”?

Parece que já chegou a hora do Jornal do Commercio (e já é tarde...) pensar na contratação de um ombudsman (o que já acontece, desde 1989, em alguns jornais de grande circulação) para melhor refletir sobre essas questões.

Marketing político 2

Pois não é mesmo que o marketing político é a melhor estratégia para conquistar eleitores?

Então... com os jingles no ritmo do "brega-chulo" e "pega-pega" os candidatos a vereadores aderiram ao estilo ritmado da moçada para conquistar o eleitor novo. Sim... por que o eleitor maduro será que gosta mesmo desse ritmo?

Bom...deixando o pré-conceito de lado, vamos ao texto dos postulantes. De tudo que foi feito durante gestões na Câmara de Vereadores de Petrolina ou na prefeitura, à frente de secretarias de governos ou mesmo de associação de bairro, os candidatos fazem um verdadeiro “honra a César” para mostrar que não passaram por essas funções apenas por competência, mas sim porque almejavam a vereança ou a renovação dela.

Na disputa nada fácil por uma vaga na Casa Plínio Amorim o topa tudo por um voto vai longe.

No marketing de guerra as ações são diversas: carro de som nas alturas (plagiando mais e mais as musicas comercial) entra nas ruas sem pedir licença e põe pra fora uma melodia que apenas os puxa-sacos têm paciência de ouvir; santinhos abarrotando a caixa dos Correios nas residências; discurso demagogo quase apelativo e pra não dizer imoral conclamam os moradores a participarem de eventos dos tais candidatos.... (sofro, viu???)

Ainda achando pouco, o "marketing de guerrilha" vai mais longe. Na lista das benfeitorias “realizadas” tem de tudo. Desde a liberação de verba a construção de equipamento, pavimentação de rua, passando pela segurança.

É algo digno de um estudo sociológico que só mesmo nos moldes efetivos do processo eleitoral brasileiro pode ocorrer. Até porque com todas as tais dificuldades de se fazer um trabalho na esfera pública municipal nada disso é problema para esses candidatos que se dizem preparados para conquistar a tão deseja viagem à marte que os eleitores querem (pelo menos parece ser isso que os candidatos dizem....)

Aguardem o marketing político 3...
Afinal, ainda tem muita água pra passar nessa ponte.

Diario de Pernambuco publica manifesto da Fenaj

Jornal mais antigo em circulação na América Latina, o Diario de Pernambuco - pertencente aos Diários Associados, há 182 anos circulando - publicou, na sua edição desta quarta-feira (13/08), o Manifesto à Nação divulgado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e subscrito pelos 31 Sindicatos de Jornalistas existentes no Brasil.

O Diario de Pernambuco seguiu, assim, a posição adotada pelos jornais Correio Braziliense e Estado de Minas, igualmente integrantes do Sistema Diários Associados, abrindo espaço para uma manifestação oficial dos jornalistas brasileiros. O manifesto foi publicado, no formato de nota oficial, no caderno de Vida Urbana, um dos mais lidos do periódico.

Com o título "Em Defesa do Jornalismo, da Sociedade e da Democracia no Brasil", o manifesto alerta para a ameaça ao País e à sociedade brasileira - em seu direito a rceber informação livre, plural e de credibilidade - com o recurso do Ministério Público Federal, prestes a ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que pede o fim da obrigatoriedade do diploma de curso superior para o exercício da profissão e desregulamenta o seu exercício profissional.

"A sociedade brasileira está ameaçada numa de suas mais expressivas conquistas: o direito à informação independente e plural, condição indispensável para a verdadeira democracia", resalta a frase que abre o manifesto. O documento destaca que a "a exigência da formação superior é uma conquista histórica" da sociedade que "modificou profundamente a qualidade do Jornalismo brasileiro".

Antes dos cursos e da regulamentação da profissão, o acesso ao exercício do Jornalismo "dependia de relações de apadrinhamentos e interesses outros que não o do real compromisso com a função social da mídia".

De acordo com o manifesto, é um direito da sociedade receber informação apurada por profissionais com formação teórica, técnica e ética, é falacioso o argumento de que a obrigatoriedade do diploma ameaça as liberdades de expressão e de imprensa e a regulamentação da profissão "não é impedimento para que pessoas – especialistas, notáveis ou anônimos – se expressem por meio dos veículos de comunicação".

A regulamentação é sim, diz a nota, "a garantia de que a diversidade de pensamento e opinião presentes na sociedade esteja também presente na mídia".

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Pesquisa: 82% dos eleitores não confiam em promessas de campanha

Publicado em 12.08.2008, às 17h32 no site do JC Online

Com Informações da AMB

A maioria dos brasileiros acreditam que os políticos não cumprem as promessas de campanha, usam a política para o próbrio benefício e não são punidos quando cometem alguma fraude. Este é o resultado da pesquisa divulgada nesta terça-feira (12), pela pela Associação dos Magistrados Brasileiros.

Em todo o País, 85% das pessoas consultadas acha que os candidatos, quando eleitos, são os maiores beneficiados. No Nordeste, onde foram entrevistadas 400 pessoas, esse percentual é um pouco menor - 80%. Apenas 17% opinou que o processo eleitoral beneficia mais a população. O estudo também mostra que 34% dos entrevistados prefeririam não ir às urnas, caso o voto não fosse obrigatório.

Dos que se interessam pelo processo eleitoral, a maioria (97%) citou as propostas de governo como um dos principais fatores para a escolha do candidato. Os benefícios relacionados ao bairro onde moram fica em segundo lugar nesta lista de pontos que influenciam o voto. Nesta indicação, 76% informou que escolhe o candidato pela filiação partidária.

A pesquisa mostra ainda que 60% denunciariam casos de corrupção nas eleições. Indagados sobre a quem deveriam procurar para fazer a denúncia, 50% procurariam a Justiça Eleitoral, enquanto 18% iriam ao Ministério Público e outros 18% à Polícia.

Do total de entrevistados, 72% sabem que existe uma lei contra a compra de votos, embora a maioria (69%) desconheça a autoria – que é de iniciativa popular, o que é de conhecimento de apenas 31% dos entrevistados.

Entre os dias 27 de junho e 6 de julho de 2008, o Instituto Vox Populi entrevistou 1.502 pessoas maiores de 16 anos, de todos os estados do país. O resultado está dividido em três tópicos: eleições e política; corrupção eleitoral; e políticos e suas responsabilidades.

A Pesquisa está disponível no site da AMB.

O diploma é uma conquista. É um direito.


segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Ficha suja não é problema!!!!

Entre o humor e a tragédia existe uma linha tênue que pouco ou quase nada percebemos. A charge do Jornal do Commercio de hoje (11/08/08) postada neste blog é a representação cabal disso.

Quando o assunto é eleição pensamos várias coisas, tipo: nós que somos mortais para comprarmos a prazo em qualquer loja temos que ter nome limpo; para fazermos concurso público temos que estar com o título em dia. Se formos aprovados temos que apresentar a “folha corrida” da polícia. Para tirar ou renovar carteira de habilitação fazem uma varredura em nossa vida...

Agora, para concorrer a uma eleição política nada disso é necessário. Afinal, o candidato pode ter uma fichinha ou fichona suja, mas ainda não fui julgado e portanto, qual o problema?

E mesmo sendo julgado ele não tem direito a recorrer? Ora bolas, por que será que os próprios candidatos que legislam “em favor” do povo para o cumprimento da Lei não fariam isso em causa própria?

Afinal, mesmo que tenha havido desvio de conduta a lei de improbidade administrativa não pode transformar os acusados em culpados antes de condenados em última instância!!!! E não é que é mesmo?

O pior: a cara de Óleo de Peroba dos candidatos é algo digno de uma análise psicopatológica. O perfil de inocente tipo “não sei de nada disso”, “tudo não passa de uma armação orquestrada pelos meus inimigos”, "a culpa é dessa imprensa golpista" (esta é a que eu mais gosto!!!), “posso provar que estou sendo vítima”, “algo está errado"... e por aí vai.

A mudança através de uma reforma política talvez traga luz a este túnel que é profundo e está atolado num lamaçal. A transformação pode vir e daí teremos a possibilidade de trazer a cena políticos/candidatos que tenham honestidade, caráter e decência em seus DNAs e não sejam apenas os slogan de campanha ou enredo de jingle político.

A esperança é que tenhamos uma reforma digna de país de Primeiro Mundo e que possamos nos orgulhar de uma classe política que hoje está afundada no descrédito de representantes que “de povo para o povo” tem apenas o discurso.

A reforma política é uma questão de urgência. Cabe a imprensa instigar o debate. Cabe a sociedade cobrar para que isso aconteça.

Políticos gastam o dinheiro do povo

Já faz um tempinho que este blog traz à baila, vez ou outra, a questão do gasto público com representantes do povo. Ontem (10/08/08), o Jornal do Commercio ouviu o advogado José Paulo Cavalcanti (ver matéria abaixo) cujo relato diz que a existência da figura do vereador é praticamente um “privilégio” do nosso país.

Cavalcanti ressaltou que na “grande maioria dos países, a figura do legislador municipal inexiste. Em seu lugar, há os chamados “conselhos de cidadãos”, formados por representantes das comunidades e bairros, que geralmente trabalham sem remuneração ou ônus para os cofres públicos”. Igualzinho ao Brasil, não é mesmo??????

Felizmente nem tudo está perdido. Afinal, a mídia está debatendo a temática. Sites e grandes jornais em nível nacional e também as rádios estão mexendo numa ferida que machuca o nosso bolso. As casas de vereadores, em nível geral, estão camufladas de falcatruas, desvios de verbas, uso e abuso do poder além de “enganação” velada.

O que precisamos de fato é realizar a tal “Reforma Política” (que não seja eleitoreira) para conquistarmos um país livre e justo na questão dos gastos públicos. Políticos que sejam comprometidos com a coletividade e não com grupos ou com a individualidade.

Pessoas que tenham seus salários em função da sua atividade e que disponham um tempo para trabalhar em prol da sociedade.

Com a reforma não teremos, então, gastos de gabinetes, verbas extras, auxílios diversos, indicações de parentes e muito menos "trem da alegria" (contratação sem concurso).

Será que teremos algum candidato?????????????????

Vereador remunerado é minoria no mundo

Jornal do Commercio
Publicado em 10.08.2008

Em vez de legisladores pagos com dinheiro público, grande parte dos países tem conselhos de cidadãos, formados por representantes das comunidades, que não recebem salário pela atividade O cargo de vereador é, praticamente, uma exclusividade da legislação brasileira. Na grande maioria dos países, a figura do legislador municipal inexiste. Em seu lugar, há os chamados “conselhos de cidadãos”, formados por representantes das comunidades e bairros, que geralmente trabalham sem remuneração ou ônus para os cofres públicos.

Os conselheiros são escolhidos pela própria população e costumam reunir-se periodicamente para discutir temas relativos à cidade, numa pauta equivalente à que é cumprida pelos vereadores no Brasil. No entanto, nenhum deles sobrevive da política e sim das suas atividades profissionais. As reuniões acontecem em auditórios públicos, sem a estrutura física de uma Câmara Municipal, nem funcionários ou servidores comissionados à disposição.

De acordo com o advogado José Paulo Cavalcanti – estudioso das Constituições dos países –, o formato do Legislativo brasileiro é único. Ele explica que são poucos os países com estrutura federativa equivalente à do Brasil. Na maioria, não existe a figura do município. São províncias, condados e cidades, vinculados diretamente ao poder central. “Como não há remuneração, o número de conselheiros é maior e as comunidades ficam melhor representadas”, avalia.

Até meados de 1977, o trabalho dos vereadores não era remunerado, à exceção das Câmaras das capitais e de cidades com mais de 500 mil habitantes. Após o Pacote de Abril – conjunto de leis outorgado pelo presidente-general Ernesto Geisel em abril de 77, visando a evitar o avanço da oposição ao regime – todos passaram a receber vencimentos, calculados num limite de até 75% dos salários dos deputados estaduais, que, por sua vez, representam 75% do que recebe um deputado federal.

Segundo José Paulo, em alguns países – como Portugal – ainda se costuma pagar um jetom por sessão aos conselheiros, para repor o dia de trabalho que deixam de cumprir nas suas profissões. Mas as vantagens param por aí. “Tirar dinheiro da saúde, da educação, para pagar vereadores, não existe. São 5% do orçamento do município, que destina 10% à saúde. Não seria melhor que a saúde tivesse 15% e não existissem vereadores?”, questiona José Paulo, arrematando: “No Brasil, os vereadores são assistentes sociais de luxo. Não há nada que eles façam que um conselheiro não possa fazer melhor”.

A advogada Rachel Farhi, ex-procuradora do Estado do Rio de Janeiro e chefe da área jurídica do Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam), salienta que extinguir a remuneração dos vereadores é inconstitucional.

“Antigamente, o exercício da vereança era meramente honorífico. Mas é deste subsídio que o vereador tem seu sustento”, afirma Rachel. Para ela, o que se configura como irregular é a adição das verbas indenizatórias aos salários dos vereadores. “O vereador tem que financiar as despesas com alimentação, por exemplo, com os seus próprios recursos. A verba indenizatória deve ser gasta com despesas inerentes ao cargo e não para auferir vantagem pessoal.”

Outro assunto que Rachel Farhid discute é a vinculação dos subsídios nas Câmaras aos salários de deputados. “A lei fala em limite, teto. Isso significa que não necessariamente o vereador tem que ganhar o teto. Não significa que tem que ser igual ao limite. Até porque vincular a remuneração do vereador à do deputado é também inconstitucional. São unidades orçamentárias distintas, de entes da federação também distintos”, conclui. (S.M.F.)

domingo, 10 de agosto de 2008

Poesia porque ninguém é de ferro

Gente, valeu!
O poema Código Nacional de Trânsito de Affonso Ávila - e talvez a minha provocação/referências - , do último domingo, deu um poema para Marta Feitosa (daqui de Petrolina, mulher engajada, linda!). Vejam a resposta dela no meio do poema referindo-se ao texto-caçamba... bom demais, os pedaços/versos e o todo. Obrigada Marta.

Abraços e um bom domingo
Bet

Marta Feitosa

Só me intrigame
me fura
me tira (onda)
me cospe
E me joga
ácido
por que faz
A quem diz
Aquém de mim
fim do mundo
é depois que a alegria passa
o domingo chega
um texto-caçamba

que atropela
e não mata
futuca que sai
sem ser inteiro
mas sai
sem ser orgulho
ou servir ao mundo
verso bafo de bar
um arroto e outro
fere, que a farsa é contínua
faixa é contínua
até vir outra placa
ou um bafômetro
logo mais
espirrômetro
beta-h-cêmetro
nicotinômetro
controle cívico
ideal seria
uma camisa de vênus
para cada vício

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Evento para os blogautas advogados e outros


Caro blogauta,
Vocês sabem que vez ou outra estou postando por aqui uma dica de evento interessante para o debate. Então... a OAB/PE promove atividades para lembrar os 181 anos de criação dos cursos jurídicos no Brasil.

A Semana do Advogado acontece de 11 a 16 de agosto, com palestras, debates e lançamentos de livros. A abertura oficial do evento é dia 11 às 15h, no auditório da OAB/PE, com palestra do Ministro do TSE, Caputo Bastos sobre "Reflexões das Competências da Justiça Eleitoral".

O tema é bem atual.
Aos meus amigos advogados, por uma questão de “justiça”, ta postado aqui à mensagem.

Do blog Multiciências

Caros Colegas e alunos,

Nos últimos dias, professores, jornalistas, colegas e egressos do curso de Comunicação Social problematizaram a necessidade da formação para o exercício do profissional jornalista. Entende-se qe o jornalismo é um campo de conhecimento e o profissional deste campo opera nos processos de significação do mundo e de mediação discursiva, além do próprio jornalismo ser um elemento essencial para a democracia e está presente em processos históricos que consolidaram a construção da nação, cidadania, etc.

Como compreendemos que é necessário discutir e problematizar o campo do jornalismo, a Agência MultiCiência promoverá um debate público - ora no campo virtual - sobre a necessidade de assegurar a formação inerente à profissão do jornalista como ator social importante na sociedade contemporânea.

Este debate começou com o artigo de Jean Carlos e continua, hoje, com o artigo de Muniz Sodré, no qual ele afirma:

"..Eventuais descaminhos não podem elidir a evidência de que a imprensa brasileira, por exemplo, jamais deixou, em seus 200 anos de existência, de estar presente, como parte essencial, nas causas que ajudaram a dar à nação a sua face atual – a abolição da escravatura (de cuja campanha participou a maioria dos jornais provinciais) e a criação da República. O jornalismo, no Brasil e no resto do mundo, reflete as questões públicas decisivas para os rumos da nação.
(..) Informação não é mero produto, nem serviço: é o próprio solo da sociedade em que vivemos, é o campo onde joga o cidadão".

Para saber mais, acesse o blog Multiciência e confira também a produção dos alunos do curso de Comunicação Social Jornalismo em Multimeios.

No blog, voce pode conferir a crítica teatral feita por Luis Osete sobre o espetáculo O Reencontro de Palhaços no Salão, exibido no Aldeia do Velho Chico...

Abraços e sejam bem-vindos ao MultiCiência.

Redação MultiCiência
Prof. Andréa Cristiana

Pelo diploma de jornalista

SinjoPE define pauta de mobilização pelo diploma

A direção do SinjoPE definiu uma pauta de movimentação, em agosto, em defesa da regulamentação dos jornalistas e do diploma específico para o exercício profissional, dentro da mobilização nacional liderada pela Fenaj, que prevê uma semana de atividades no País no período de 11 a 17 deste mês.
Grande manifestação de jornalistas e de personalidades e entidades sociais e sindicais em apoio e solidariedade à regulamentação no Jornalismo já se registra nacionalmente, enquanto se aguarda a definição da data do julgamento, pelo STF, do recurso do Ministério Público Federal contra o diploma para jornalista.

Com a abertura da campanha salarial 2008, o SinjoPE aproveita a ida às redações, nas próximas quinta e sexta-feiras (7 e 8/08), quando será feita a convocação para a assembléia de aprovação da Pauta de Reivindicações, para também convocar a categoria a intensificar as manifestações de apoio à nossa regulamentação e a participar dos atos.
Vejam abaixo o calendário de atividades:

- Dia 6 de agosto - coleta de adesão ao abaixo-assinado da Fenaj no plenário da Assembléia Legislativa. A partir das 14 horas;
- Dias 7 e 8 de agosto - mobilização nas redações dos principais jornais, TVs e rádios em Pernambuco;
- Dia 11 de agosto - mobilização pelo diploma na assembléia de aprovação da pauta da campanha salarial 2008. Às 12 horas, no auditório do Sindicato dos Radialistas, bairro de Santo Amaro;
- Dia 13 de agosto - Ato em defesa do diploma e da regulamentação da profissão e para coleta de assinaturas ao abaixo-assinado da Fenaj, em frente ao Tribunal Regional Federal (TRF/5ª), Av. Martin Luther King, S/N - Cais do Apolo - Recife - PE. Manhã e tarde;
- Dias 11 a 17 de agosto - contatos e visitas a faculdades, universidades e cursos de Jornalismo;
- Dias 20 a 24 de agosto - participação da delegação no 33º Congresso Nacional dos Jornalistas, em São Paulo.

Marketing político 1

A partir de hoje vamos fazer uma séria de notinhas e matérias sobre o marketing político (sem entrar em conceitos acadêmicos...) para melhor entender os tais elementos contribuintes de um processo eleitoral que fazem a diferença no período da campanha.

As estratégias de marketing político para agarrar os novos eleitores ou manter os velhos estão cada vez inovadoras e dignas do Primeiro Mundo.

Tem candidato em Juazeiro/BA, por exemplo, que fazendo uso das novas (nova em parte....) ferramentas tecnológicas, o Mobile Marketing, um tipo de mídia virtual via celular, em tempo “imediato”, executado por empresa especialista na área, consegue cancelar um evento em função de um fato inesperado, a morte de um parente, por exemplo.

O uso da mensagem via celular, atrelado a uma estratégia de “cancelamento emergencial boca-a-boca” facilita a vida dos assessores e dos pobres coitados que arrumaram a rua, casa, prepararam comes e bebes para o então candidato passar.

Os tempos são outros, a tecnologia também. O que faltam nesses novos tempos são os políticos sérios e comprometidos com a coletividade. O kit tecnológico facilitador da comunicação e das mensagens imediatas não traz esses elementos em anexos.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

OAB-PE em defesa do diploma

Depois de anunciar, publicamente, há 20 dias, o apoio da OAB/PE ao movimento dos jornalistas brasileiros em defesa de sua regulamentação profissional , o presidente da seccional da Ordem dos Advogados, Jayme Asfora, divulga, agora, um artigo sustentando a necessidade da exigência do diploma para o exercício do jornalismo. O artigo de Asfora foi publicado no Blog do Jamildo, que pertence ao Sistema Jornal do Commercio de Comunicações.

Leiam abaixo:

Em defesa do jornalismo ético e de qualidade

Por Jayme Asfora

A Constituição Federal do Brasil, em seu artigo 5º - Inciso XIII, determina que "é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer".

Não é possível negar que ética, informação de qualidade e com responsabilidade e preparação técnica são algumas dessas qualificações que devem ser consideradas essenciais para o exercício do jornalismo. Para tanto, a formação acadêmica é fundamental nesse processo.

A retomada da discussão em torno da exigência do diploma para o exercício do jornalismo não é uma pauta somente daqueles que fazem a imprensa brasileira, mas também de toda a sociedade e daqueles que têm o papel de defender a Constituição e o Estado democrático de direito como é o caso da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Apoiar a manutenção dessa exigência é apoiar que tenhamos uma imprensa qualificada teoricamente e tecnicamente e, sobretudo, agindo dentro dos ditames da ética e do respeito - essenciais quando se trata da exposição pública de pessoas, empresas e instituições.

O Decreto-lei nº 972/69 - que regulamentou a profissão de jornalista e exige a obrigatoriedade do diploma superior específico - foi plenamente recepcionada pela Carta de 1988. Portanto, não cabe questionamento quanto a sua constitucionalidade democrática. Esse questionamento à regulamentação dos jornalistas é que é questionável.

O ataque à formação profissional do jornalista muito se assemelha aos ataques impetrados, no caso da advocacia, ao Exame de Ordem - barreira fundamental contra a mercantilização dos cursos de Direito em todo o País.

No ano que se comemora os 20 anos da Constituição Federal, jornalistas e advogados - que, no passado, também estiveram unidos na trincheira contra a privação das liberdades individuais - estão juntos novamente contra a banalização das profissões e na luta em favor de um dos princípios fundamentais da cidadania: o acesso à informação livre e de qualidade.

A comunicação brasileira, nos últimos anos, deixou de lado os profissionais que, muitas vezes colocaram seus ganhos pessoais acima dos interesses de toda a sociedade.
A regulamentação da profissão e a necessidade de formação superior foram alguns dos principais responsáveis por essa mudança.

Estamos juntos com a Federação Nacional dos Jornalistas e, em especial, com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco na defesa intransigente da exigência do diploma para o exercício dessa profissão tão fundamental para o exercício dessas liberdades.

PS: Jayme Asfora é presidente da OAB-PE

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Vamos sorrir?



Conceito de um jingle para campanha política

Considerando o tratamento harmônico das bandas de forró estilizado que para muitos entendedores não há diferenciação entre uma e outra, alguns candidatos a vereadores aproveitaram a melodia dessas “obras-prima” para postar suas propostas eleitorais.

A criatividade quase bizarra chega a confundir o eleitor além de forçar seu raciocínio, em muitos momentos, para “tentar entender” o que a letra diz sobre os postulantes...

No embalo de “filho de rapariga...” a “entra...entra”....;"chupa que é bom..."; " qualquer coisa ... menta..." é impressionante a ausência de criatividade e ousadia na composição dos textos para apresentar as tais propostas políticas.

A febre das bandas libidinosas que invadiram a MPB como um câncer indomável fica quase difícil de ser controlada porque até mesmo os arranjadores de jingle político (se é que sabem o que é um jingle publicitário) aderiram a onda do “que tem de pior para atrair o povão” denegrindo a imagem dos bons criadores letristas que ficaram na histórica política desse país.

E aqui vale um parêntese que qualidade não quer dizer letras complicadas, valores exorbitantes de cachês e grandes papas publicitários. No entanto, ressalta-se a singularidade na produção musical e textual.

Considerada uma das publicidades mais criativas do mundo e exportadora de talentos, o Brasil sempre teve mesmo do que se orgulhar. Hoje, há uma nova reflexão sobre os conceitos da comunicação e a forma de “qualquer pessoa” se dizer publicitário no modo de fazer essa comunicação.

É bom registrar que o fenômeno tsunâmico dos “jingles estilizados” que assola a campanha eleitoral, em especial Petrolina e Juazeiro, nem de longe pode se considerar inovador e criativo.

Parece sim, que o fenômeno tem um propósito enganador e menospreza grandes criadores da cultura popular que narraram o Cordel, Repente e o autentico Forró Pé-de-Serra em muitas campanhas políticas.

Esses foram deixados para traz no intuito de apresentar um conteúdo vulgar como proposta de jingle. Parece até que poderíamos deixar a história das obras sertanejas serem aniquiladas de qualquer maneira.

É salutar relembrar aos tais “criadores estilizados” que as obras que são ricas em literatura, melodia e retratam de forma singular o cotidiano, o dia-a-dia das pessoas, estas ficam porque fazem à história. O resto passa.

domingo, 3 de agosto de 2008

Bet passa mais uma poesia 1

Após a greve dos correios, me chega uma correspondência de Domingos Diniz, amigo ribeirinho, com uma cópia xerox do poema Código Nacional de Trânsito (1971-1972) de Affonso Ávila, poema do qual já havia lido algumas partes, mas não o conjunto. Vou digitá-lo completo, vale a pena.

Você o leia em partes se quiser, parando, virando aqui e ali, refletindo nos cruzamentos, direção segura, numa viagem pela poesia concreta dos anos 70 e fazendo paralelos com o tempo histórico de um trânsito impedido...

Que caminhos percorremos agora? Dá para fazer um poema da lei seca e de bafômetros? Qual o limite da ultrapassagem?
Ecoa modernamente o apelo do poeta: "não pule a pauta quando a farsa for contínua".

Inté,
Bet

Poesia

Código Nacional de Trânsito
Affonso Ávila

dentro da faixa
fora do perigo
dentro da fauna
fora do perigo
dentro da farsa
fora do perigo
dentro do falso
fora do perigo
dentro do fácil
fora do perigo

conserve-se à direita
converse às direitas
como os cegos à direita
com o verso às direitas
como servo à direita
com os seus às direitas
como os sérios à direita
com o sexo às direitas
confesse-se à direita
com os céus às direitas


luz baixa
ao cruzar outro veículo
luz baixa
ao cruzar outro vestíbulo
luz baixa
ao cunhar outro verbete
luz baixa
ao copiar outro versículo
luz baixa
ao colar outro verniz

não ultrapasse
quando a faixa for contínua
não ultraje a pátria
quando a farsa for contínua
não vire a página
quando a farsa for contínua
não pule a pauta
quando a farsa for contínua
não mude a prática
quando a farsa for contínua

dirija com prudência
divirja com prudência
divida com prudência
desdiga com prudência
desfira com prudência
destinja com prudência
desvista com prudência
digira com prudência
divirta com prudência
desiniba com prudência

não pare na pista
não paire na pista
não paste na pista
não pause na pista
não plaine na pista
não piane na pista
não polque na pista
não prose na pista
não poeta na pista
não pense na pista

sob neblina use a luz baixa
sob neblina use a luneta
sob neblina use o lacre
sob neblina use o labirinto
sob neblina use o letargo
sob neblina use o lendário
sob neblina use o lírico
sob neblina use o lúdico
sob neblina use o litúrgico
sob neblina use o latim

longo trecho em declive
longo terreno em declive
longo terreiro em declive
longo traçado em declive
longo trilho em declive
longo tropeço em declive
longo tropel em declive
longo tempo em declive
longo tema em declive
longo texto em declive

Diniz também esclarece que a publicação deste poema, na época da ditadura militar, foi proibida. Os únicos jornais que o publicaram foram o Correio da Manhã (Rio de Janeiro) e o jornal Tribuna Literária, em Pirapora, onde ele era um dos redatores.