segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Conceito de um jingle para campanha política

Considerando o tratamento harmônico das bandas de forró estilizado que para muitos entendedores não há diferenciação entre uma e outra, alguns candidatos a vereadores aproveitaram a melodia dessas “obras-prima” para postar suas propostas eleitorais.

A criatividade quase bizarra chega a confundir o eleitor além de forçar seu raciocínio, em muitos momentos, para “tentar entender” o que a letra diz sobre os postulantes...

No embalo de “filho de rapariga...” a “entra...entra”....;"chupa que é bom..."; " qualquer coisa ... menta..." é impressionante a ausência de criatividade e ousadia na composição dos textos para apresentar as tais propostas políticas.

A febre das bandas libidinosas que invadiram a MPB como um câncer indomável fica quase difícil de ser controlada porque até mesmo os arranjadores de jingle político (se é que sabem o que é um jingle publicitário) aderiram a onda do “que tem de pior para atrair o povão” denegrindo a imagem dos bons criadores letristas que ficaram na histórica política desse país.

E aqui vale um parêntese que qualidade não quer dizer letras complicadas, valores exorbitantes de cachês e grandes papas publicitários. No entanto, ressalta-se a singularidade na produção musical e textual.

Considerada uma das publicidades mais criativas do mundo e exportadora de talentos, o Brasil sempre teve mesmo do que se orgulhar. Hoje, há uma nova reflexão sobre os conceitos da comunicação e a forma de “qualquer pessoa” se dizer publicitário no modo de fazer essa comunicação.

É bom registrar que o fenômeno tsunâmico dos “jingles estilizados” que assola a campanha eleitoral, em especial Petrolina e Juazeiro, nem de longe pode se considerar inovador e criativo.

Parece sim, que o fenômeno tem um propósito enganador e menospreza grandes criadores da cultura popular que narraram o Cordel, Repente e o autentico Forró Pé-de-Serra em muitas campanhas políticas.

Esses foram deixados para traz no intuito de apresentar um conteúdo vulgar como proposta de jingle. Parece até que poderíamos deixar a história das obras sertanejas serem aniquiladas de qualquer maneira.

É salutar relembrar aos tais “criadores estilizados” que as obras que são ricas em literatura, melodia e retratam de forma singular o cotidiano, o dia-a-dia das pessoas, estas ficam porque fazem à história. O resto passa.

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