terça-feira, 24 de março de 2009

Esquerda e direita - Parte 2


Tem umas coisas que acontecem apenas aqui no Brasil que nos deixam intrigados. Depois de todo o escândalo do mensalão (2005), esquema de corrupção e desvio de dinheiro envolvendo o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, que por incrível que possa parecer foi expulso do partido, agora pede clemência. Quer voltar às bases da tal esquerda petista.

E o pior de tudo isso é que ele quer disputar uma vaga para Câmara Federal em 2010. É mole?

Por outro lado, o seu companheiro de quadrilha, José Dirceu, que deixou a Casa Civil por ser considerado o mentor do mensalão, não saiu do partido e continua sendo uma figura austera e procurada pela mídia e por toda base da também chamada esquerda brasileira na qual encontramos diversos elementos de alta periculosidade fazendo parte do bando.

Dirceu discorre textos analíticos em seu blog, cujo tema principal retrata a tal esquerda triunfante nacional e quando o assunto é mudança das figuras que administram o PT, ele é o primeiro a ser consultado.

Se ele tem moral pra isso? Parece que sim. Afinal, quando se sabe muito do que se passa no intestino, no submundo da política nacional vira-se uma referencia no bando. Este papel tem tudo a ver com o Dirceu.

Não há o que se espantar nesse cenário. Até mesmo Fernando Collor quando assumiu a tal presidência da comissão do Senado (fev/2009), trouxe à memória dos esquecidos as parceiras da esquerda com a direita ao citar a reconciliação de Carlos Lacerda com seu arquiinimigo Juscelino Kubitschek e o perdão tranquilo, tranquilo de Luiz Carlos Prestes ao imperador (perdão!), presidente Getulio Vargas, que enviou sua esposa Olga Benário para os campos nazistas.

Ainda bem que existe o registro. Assim, a história não passa despercebida. Amanhã teremos a triste lembrança desses momentos que podem passar por um tempo, mas estarão marcados na memória.

E nós, enquanto imprensa, estamos aqui, para não deixar essa memória morrer.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Poesia

AO ESPELHO

Jorge Luiz Borges

Por que persistes, incessante espelho?
Por que repetes, misterioso irmão,
O menor movimento de minha mão?
Por que na sombra o súbito reflexo?

És o outro eu sobre o qual fala o grego
E desde sempre espreitas. Na brunidura
Da água incerta ou do cristal que dura
Me buscas e é inútil estar cego.

O fato de não te ver e saber-te
Te agrega horror, coisa de magia que ousas
Multiplicar a cifra dessas coisas

Que somos e que abarcam nossa sorte.
Quando eu estiver morto, copiarás outro
E depois outro, e outro, e outro, e outro

Censura à jornalista

CARTA ABERTA AOS JORNALISTAS DO BRASIL
Por Leandro Fortes
Com cópias para:

Sérgio Murillo de Andrade, presidente da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj);
Maurício Azedo, presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI); e
Romário Schettino, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF)

No dia 11 de março de 2009, fui convidado pelo jornalista Paulo José Cunha, da TV Câmara, para participar do programa intitulado “Comitê de Imprensa”, um espaço reconhecidamente plural de discussão da imprensa dentro do Congresso Nacional.

A meu lado estava, também convidado, o jornalista Jailton de Carvalho, da sucursal de Brasília de O Globo. O tema do programa, naquele dia, era a reportagem da revista Veja, do fim de semana anterior, com as supostas e “aterradoras” revelações contidas no notebook apreendido pela Polícia Federal na casa do delegado Protógenes Queiroz, referentes à Operação Satiagraha.

Eu, assim como Jailton, já havia participado outras vezes do “Comitê de Imprensa”, sempre a convite, para tratar de assuntos os mais diversos relativos ao comportamento e à rotina da imprensa em Brasília. Vale dizer que Jailton e eu somos repórteres veteranos na cobertura de assuntos de Polícia Federal, em todo o país. Razão pela qual, inclusive, o jornalista Paulo José Cunha nos convidou a participar do programa.

Nesta carta, contudo, falo somente por mim.

Durante a gravação, aliás, em ambiente muito bem humorado e de absoluta liberdade de expressão, como cabe a um encontro entre velhos amigos jornalista, discutimos abertamente questões relativas à Operação Satiagraha, à CPI das Escutas Telefônicas Ilegais, às ações contra Protógenes Queiroz e, é claro, ao grampo telefônico - de áudio nunca revelado - envolvendo o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás.

Em particular, discordei da tese de contaminação da Satiagraha por conta da participação de agentes da Abin e citei o fato de estar sendo processado por Gilmar Mendes por ter denunciado, nas páginas da revista CartaCapital, os muitos negócios nebulosos que envolvem o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), de propriedade do ministro, farto de contratos sem licitação firmados com órgãos públicos e construído com recursos do Banco do Brasil sobre um terreno comprado ao governo do Distrito Federal, à época do governador Joaquim Roriz, com 80% de desconto.

Terminada a gravação, o programa foi colocado no ar, dentro de uma grade de programação pré-agendada, ao mesmo tempo em que foi disponibilizado na internet, na página eletrônica da TV Câmara. Lá, qualquer cidadão pode acessar e ver os debates, como cabe a um serviço público e democrático ligado ao Parlamento brasileiro. O debate daquele dia, realmente, rendeu audiência, tanto que acabou sendo reproduzido em muitos sites da blogosfera.

Qual foi minha surpresa ao ser informado por alguns colegas, na quarta-feira passada, dia 18 de março, exatamente quando completei 43 anos (23 dos quais dedicados ao jornalismo), que o link para o programa havia sido retirado da internet, sem que me fosse dada nenhuma explicação.

Aliás, nem a mim, nem aos contribuintes e cidadãos brasileiros. Apurar o evento, contudo, não foi muito difícil: irritado com o teor do programa, o ministro Gilmar Mendes telefonou ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, do PMDB de São Paulo, e pediu a retirada do conteúdo da página da internet e a suspensão da veiculação na grade da TV Câmara. O pedido de Mendes foi prontamente atendido.

Sem levar em conta o ridículo da situação (o programa já havia sido veiculado seis vezes pela TV Câmara, além de visto e baixado por milhares de internautas), esse episódio revela um estado de coisas que transcende, a meu ver, a discussão pura e simples dos limites de atuação do ministro Gilmar Mendes.

Diante desta submissão inexplicável do presidente da Câmara dos Deputados e, por extensão, do Poder Legislativo, às vontades do presidente do STF, cabe a todos nós, jornalistas, refletir sobre os nossos próprios limites. Na semana passada, diante de um questionamento feito por um jornalista do Acre sobre a posição contrária do ministro em relação ao MST, Mendes voltou-se furioso para o repórter e disparou: “Tome cuidado ao fazer esse tipo de pergunta”. Como assim? Que perguntas podem ser feitas ao ministro Gilmar Mendes?

Até onde, nós, jornalistas, vamos deixar essa situação chegar sem nos pronunciarmos, em termos coletivos, sobre esse crescente cerco às liberdades individuais e de imprensa patrocinados pelo chefe do Poder Judiciário? Onde estão a Fenaj, e ABI e os sindicatos?

Entrevista Comite de Imprensa - Parte 1

Entrevista Comite de Imprensa - Parte 2

Por que Gilmar Mendes censurou programa da TV Câmara

Gilmar Mendes e Carta Capital

segunda-feira, 16 de março de 2009

Existem esquerda e direita no Brasil? Parte 1

Reportando ao final do século XVIII, no contexto da Revolução Francesa, a propagada “esquerda” e “direita” eram apenas cadeiras na Assembléia Nacional onde os mais radicais, contra o estado superior, se sentavam de um lado (esquerdo) e os que mantinham uma posição a favor do governo ficavam do outro lado (direito).

O ato se tornou conceito ideológico para as correntes socialista (esquerda) e conservadora (direta) e foi alimentado como criança até se tornar adulto/ancião.

Trazendo para os nossos políticos atuais, o discurso ainda leva para o viés de “pegar uma cadeira”.

Afinal, o exercício de se manter, estar no poder, acomoda as coisas em determinados lugares que saem do eixo ideológico e caem na caixa do fisiologismo, corporativismo, ajuntamento e safadeza mesmo.

Vamos aos exemplos? O senador José Sarney (PMDB-AP) foi considerado da direita toda sua vida política, com perfil coronelista e participou de todas as gestões ante e democráticas nesse país.

Agora a frente do Senado (pela 3ª vez) continua com um discurso de consenso e transparência. Opa! Transparência no Senado? Este é o único lugar no Brasil onde não existe esta palavra e nem o significado. Mas ele diz ser um homem de centro.

Fernando Collor (PTB-AL), enxotado de Brasília e da vida política há 17 anos, foi voltando de pouquinho e hoje esta na presidência da comissão de infra-estrutura do Senado (não é da República, mas não deixa de ser uma presidência).

Articulado, mas seguro com as palavras, Collor não perde sua postura imponente de palanque político. Sua passagem histórica em Brasília e a forma como assumiu (e perdeu depois) o poder em 1989 deixou uma marca nacional em termos de estratégia eleitoral a ponto de dividir o marketing político antes e depois dele.

O ex-defunto, ressuscitadíssimo, teve o apoio do poderoso chefão do Congresso Nacional, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Outro que abalou a República, colocou o Senado na lama (e parece que ainda continua lá...) e mexeu com toda estrutura democrática do país e ainda assim tem um poder de fogo que nem os míssies do Hamas lá na Palestina podem ser comparados.

Ainda existem esquerda e direita nesse país? Aguarde a parte 2.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Câmara de Petrolina instala "trem da alegria"



No desespero para atender os diversos pedidos de vereadores e amigos do ‘rei’, a Câmara Municipal de Petrolina instala o "trem da alegria" e aprova de uma lapada só 42 cargos de confiança.

Os cargos servem para acomodar amigos e aderentes. Uns precisam se encaixados para não ficar sem emprego, outros precisam ficar calados porque falam demais e outros precisam falar demais para justificar o que recebe.

A votação relâmpago e cheia de controvérsia teve apoio de partidos considerados de esquerda, como PT, com justificativas tangenciais para também subir no trem da alegria e sair por aí dando tchau aos eleitores boquiabertos.

Absurdo? E tome dinheiro do povo de ralo abaixo.